Saneamento é a lição de casa dos prefeitos

Luiz Roberto Gravina Pladevall (*)

O ano de 2017 contempla o 10º aniversário da Lei do Saneamento Básico (Lei nº 11.445/07), um marco regulatório essencial para o desenvolvimento do setor no país por meio do Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico). Nele, ficou estabelecido que os municípios deveriam produzir seus próprios planos com o objetivo de universalizar os serviços de abastecimento de água e saneamento até 2033.

Um estudo recente aponta que após dez anos da entrada em vigor dessa lei, apenas 30,4% das cidades brasileiras criaram seus planos municipais de saneamento básico. A pesquisa produzida pelo Instituto Trata Brasil, com dados da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, órgão do Ministério das Cidades, revela que das 5.570 cidades do território brasileiro, somente 1.692 (30,4%) confirmaram a elaboração de seus planos. A boa notícia vem de 37,5% dos municípios que declararam que estão produzindo o documento. Por outro lado, não há qualquer informação sobre 29,9% das localidades e outros 2% estão com dados inconsistentes.

O levantamento mostra ainda estados com maior número de municípios com planos já elaborados. São eles: Santa Catarina (86%), São Paulo (64%) e Rio Grande do Sul (54%). Mas, em 15 estados, menos de 20% das cidades elaboraram o documento. E os piores indicadores estão concentrados na região Norte brasileira.

O plano municipal é essencial para o desenvolvimento da infraestrutura em saneamento, capaz de reduzir as desigualdades sociais e melhorar as condições de saúde da população. Sem o plano, a cidade pode perder o acesso aos recursos federais de saneamento a partir de 2018. Defendemos que isso não ocorra de forma automática sem uma saída planejada para o problema. Este prazo já foi prorrogado anteriormente e simplesmente dar mais prazo aos municípios não é solução.

Entendemos que a maioria dos municípios brasileiros não tem condições para produzir o próprio plano. Entre as dificuldades, 80% dessas localidades não contam inclusive com um profissional de Engenharia para orientar a elaboração do plano. Por isso, defendemos que o Governo Federal ofereça um apoio técnico para a elaboração dos planos municipais para essas localidades. Uma sugestão é ter, em todas as dotações para programas na área, uma rubrica contendo prazo e recursos para “Consultoria”. O procedimento é usual em países desenvolvidos, que primam pela qualidade e eficiência de um empreendimento.

A expansão da profissionalização do setor vai impactar diretamente no desenvolvimento municipal, garantindo a separação do planejamento da execução do projeto. Isso permite aos agentes municipais a realização de empreendimentos públicos que atendam às necessidades da população, criando responsabilidades distintas para cada fase do empreendimento.

Os atrasos nos projetos essenciais de infraestrutura refletem no desenvolvimento nacional e na qualidade de vida da população. A perdas com a falta de saneamento vão dos impactos diretos na saúde dos moradores de regiões sem acesso aos serviços básicos de abastecimento de água e saneamento, desvalorização imobiliária, turismo e até ao encarecimento da mão de obra por baixa produtividade.

Os prefeitos precisam se engajar nessa causa, e contribuir para desatar o nó que impede a aceleração dos projetos de infraestrutura em saneamento nos municípios brasileiros. O primeiro passo é assumir compromissos com a própria população, e trabalhar para que a universalização do saneamento se torne uma realidade de Norte a Sul do território brasileiro.

(*) Luiz Roberto Gravina Pladevall é presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente) e vice-presidente da ABES-SP (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental).

Esgoto reflete o atraso brasileiro

Luiz Roberto Gravina Pladevall (*)

A universalização dos serviços de saneamento básico no território brasileiro caminha a passos muito lentos. Uma pesquisa produzida pela ANA (Agência Nacional de Água) e divulgada recentemente demonstra o nosso atraso no desenvolvimento de políticas públicas capazes de reduzir as discrepâncias no setor. O levantamento revela que o esgoto gerado por 45% de toda a população do país não recebe qualquer tipo de tratamento. O estudo mostra ainda que 70% dos 5.570 municípios têm tratamento de esgoto com, no máximo, 30% de eficiência.

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